E-recorder

O objetivo do projeto da e-recorder é de fornecer ao instrumento acústico uma extensão de possibilidades sonoras. A e-recorder tem diversos sensores instalados que me permitem manipular sons de diversas maneiras. Os sons podem ser gravados ao vivo ou de um banco de sons que está no disco duro do computador. Minha pesquisa procura que dita manipulação seja realizada através de gestos coherentes com o resultado sonoro. Por exemplo, o movimento giratório da base da flauta controla difusão de som em quatro canais ligando o gesto ao resultado sonoro. Outro exemplo é o sensor de pressão instalado na embocadura do instrumento que pode fornecer paralelismo rítmico, através da articulação, entre o som da flauta e o som processado.

A e-recorder começou a ser desenvolvida no Instituto de Sonologia do Conservatório Real de Haia, Holanda no ano de 1997. A flauta doce contrabaixo (modelo quadrado) usada para o projeto, foi feita por Herbert Paetzold na Alemanha. Fazem parte do time, Lex van den Broek (técnico) e Johan van Kreij (programador do Software chamado MAX/MSP). Meu rôle é o de dar as idéias e desenvolver a consistência artística e interativa das inovações. Objetivamente, eu tenho que decidir o espaço físico aonde os sensores são instalados e o tipo de processo que eles controlam. A última inovação na e-recorder é o uso de dedilhados que não pertencem à técnica “normal” do instrumento para controlar diversos tipos de filtros. O objetivo é que os dedilhados sejam usados para produzir os sons acústicos da flauta e ao mesmo tempo possam incorporar nuances no som através de diferentes filtros. Todas estas inovações passam por um longo processo de aprendizado para assimilar o controle motor da relação instrumentista-instrumento.

A maneira de tocar este instrumento consiste em paralelamente produzir sons acústicos e controlar estes sons gravados através do uso de sensores instalados na flauta, criando assim um contraponto acústico-sintético. O sistema usado é o MAX/MSP programado pelo meu parceiro no Duo Blam!Johan van Kreij. Este programa, “patch”, chamado de PIPO, foi usado inicialmente como parte de uma composição feita por van Kreij. Foi logo depois que comecei a usar o “patch” para improvisar. Desta maneira novas possibilidades foram sendo descobertas seguidas de novas propostas para o sistema interativo. Em 2004 PIPOTAN foi idealizado por van Kreij como um “upgrade” do sistema. PIPOTAN oferece um interface visual que fornece informações sobre a atividade dos sensores assim como o gráfico do som gravado no computador. Eu instalei uma tela LCD na flauta que reproduz a imagem do monitor do meu computador. Assim posso obter uma idéia clara do funcionalismo do sistema assim como saber aonde se encontram os sons gravados. Com o movimento de torsão do instrumento pode-se selecionar o pedaço de som desejado e com um “slider” a duração do pedaço. Isto me dá um maior controle na escolha do material sonoro o que contribui com a consistência e previsibilidade da performance.